Gênesis 3:14-15
O adversário mora dentro de você? O que a Bíblia responde
Existe uma ideia sofisticada de que Satanás é você mesmo. Mas a Bíblia trata o adversário do início ao fim como um ser separado de nós.
Tem uma ideia rodando por aí, meio sofisticada, que fala assim: o adversário, ou Satanás, não é um ser separado de você. O adversário é você mesmo, é a sua vontade, é o seu instinto, a sua natureza real escondida atrás de moral e religião. Satanás, uma das traduções é essa: adversário.
E essa ideia tem raiz em correntes ocultistas do século XX. Aleister Crowley, fundador do Thelema, ensinava que o mais importante era descobrir e seguir a chamada verdadeira vontade, e tratava invocação de espíritos como exercício de autoconhecimento, não o encontro com um ser real.
Décadas depois, a Igreja de Satanás foi ainda mais direta. Para ela, Satanás não é um ser literal, é só um símbolo do orgulho, do instinto, da rejeição de uma moral cristã que ela considerava repressora.
O que a Bíblia mostra sobre o adversário
Só que essa ideia não fecha com o que a Bíblia mostra, porque o texto trata o adversário do início ao fim como um sujeito diferente de você.
Repara em Gênesis 3. Depois do pecado, Deus não amaldiçoa só o homem e a mulher. Ele amaldiçoa também a serpente, separadamente, como um réu independente.
“Maldita serás mais que toda a besta; porém inimizade entre ti e a mulher.” Gênesis 3:14-15
Se fosse só metáfora da natureza humana, não faria sentido Deus abrir um processo à parte, com sentença própria.
O mesmo em Jó. Satanás não é chamado de pensamento de Jó. Ele veio entre os filhos de Deus.
“Num dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o Senhor, veio também Satanás entre eles.” Jó 1:6
Uma pessoa mais na sala, não um traço de personalidade de quem nem está na cena.
A luta não é contra carne e sangue
E Paulo é direto: não é contra carne e sangue que temos que lutar.
“Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas sim contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais.” Efésios 6:12
Se o adversário fosse só você mesmo, a luta seria exatamente contra carne e sangue.
Jesus fala na mesma linha quando conta que via Satanás como um raio cair do céu.
“Eu via Satanás, como raio, cair do céu.” Lucas 10:18
Uma queda que ele testemunha de um ser fora da mente de qualquer pessoa.
O espírito que fala, se identifica e negocia
E tem um detalhe que fecha essa discussão. Quando Jesus expulsa demônios, o texto registra diálogo. No caso do endemoniado de Gadara, o espírito responde com o nome próprio.
“E perguntou-lhe: Qual é o teu nome? E ele respondeu, dizendo: Legião é o meu nome, porque somos muitos.” Marcos 5:9
E ainda negocia para onde vai. Ou seja, autoconhecimento não fala, não se identifica, não pede para ser mandado para uma manada de porcos.
O argumento mais antigo do mundo
E olha a ironia: esse discurso de “liberte-se da moral repressora, sirva sua própria natureza” é o mesmíssimo papo que a serpente usou no Éden. Ela disse que Deus estava reprimindo e que a desobediência iria libertar.
“Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como deuses, sabendo o bem e o mal.” Gênesis 3:5
É o argumento mais antigo do mundo, só que embalado hoje com uma linguagem de autoajuda e ocultismo.
Então não, o adversário não é você. Ele é real, e a Bíblia te dá autoridade para resistir a ele, não para se confundir com ele.
Conteúdo de Herbert Carvalho · primitivocristao.com.br