Mateus 24:32-34
O que Jesus quis dizer com "esta geração" em Mateus 24?
Muitos dizem que Jesus falou que voltaria naquela geração. Vamos entender o contexto real de Mateus 24 e a quem Jesus estava falando.
Eu recebi a seguinte mensagem: "Você está falando bobeira, pois Jesus falou que viria naquela geração. E isso já passou 2000 anos."
Primeiramente, vamos entender o contexto no qual Jesus estava falando e também para quem ele falava. Será que é isso mesmo que Jesus quis dizer?
A passagem completa está em Mateus 24. E esse livro é um dos textos mais ricos falando sobre a volta de Jesus, onde os discípulos, após saírem do templo com ele, acabaram questionando, perguntando quais sinais teremos da sua vinda.
E após Jesus explicar tudo que aconteceria naquele tempo, a gente chega ali no versículo 32 ao 34, que ele diz sobre a geração. Ele diz assim:
“Aprendei, pois, a parábola da figueira. Quando já os seus ramos se renovam e as folhas brotam, sabeis que está próximo o verão. Assim também vós, quando virdes todas essas coisas, sabeis que está próximo às portas. Em verdade vos digo que não passará essa geração sem que tudo isso aconteça.” Mateus 24:32-34
Primeiro ponto: que tipo de coisa Jesus está se referindo ao que ele mesmo descreveu desde o versículo 4, lá no começo, ao 31? Porque esse bloco já culmina diretamente na grande tribulação.
É a sequência de guerras, rumores de guerras, fome, terremotos, perseguições aos discípulos, falsos Cristos e também falsos profetas. Isso são as dores de parto do versículo 8.
O que é a abominação da desolação
O começo depois vem a abominação da desolação estabelecida no lugar santo, versículo 15, que é o gatilho de tudo. E a partir daí, Jesus descreve explicitamente sobre a grande tribulação:
“Porque haverá então grande aflição, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem jamais haverá.” Mateus 24:21
Ele ainda detalha que se aqueles dias não fossem abreviados, ninguém sobreviveria, versículo 22. Alerta sobre os falsos Cristos e também os falsos profetas nesse período. Conclui os sinais cósmicos, sol escurecendo, lua sem luz, estrelas caindo, no versículo 29, e o aparecimento do filho do homem nos céus.
Ou seja, quando Jesus chega na parábola da figueira, ele não está introduzindo um assunto novo, ele está fechando ali o raciocínio sobre a própria grande tribulação que ele acabou de descrever. Todas essas coisas, versículo 33 e 34, se refere então ao pacote completo. É a grande tribulação, é o núcleo dele, não é uma etapa separada ou posterior.
E isso é importante porque reforça o ponto do versículo 34. A geração que Jesus menciona é a geração que testemunha esse conjunto, incluindo a própria grande tribulação. Não é uma geração isolada que veria só o início, que seriam as guerras e os terremotos, sem ver o resto.
A geração do primeiro século viu a grande tribulação?
Quem tenta aplicar o versículo 34 aos discípulos do primeiro século precisa explicar como aquela geração viveu uma "aflição como nunca houve nem jamais haverá", o que historicamente não se sustenta. Nem mesmo com a destruição de Jerusalém no ano 70 depois de Cristo, por mais brutal que tenha sido, não haverá outra maior que essa tribulação.
E você verá que essa passagem ele está falando para Israel, pois a igreja ela já teria sido arrebatada bem antes disso tudo.
Segundo os detalhes práticos que Jesus dá, só fazem sentido para um público judeu vivendo sob a lei, porque lá ele vai falar sobre Judeia, ele vai instruir a orar que a fuga não aconteça no inverno e nem no sábado. Para que isso serve para gente? Isso serve de alguma forma aqui no Brasil? Uma preocupação que só faz sentido para quem observa o sábado.
E o próprio marco central, a abominação da desolação, é no lugar santo, ou seja, o templo, algo que diz a respeito diretamente a Israel e não à igreja.
Jesus está falando com Israel ou com a igreja?
Em terceiro, o tom de tudo isso remete ao Antigo Testamento. Jesus ali está citando Daniel no versículo 15, reforçando que ele está falando dentro do quadro profético já dado a Israel, não introduzindo uma categoria nova.
Isso tem uma implicação importante para quem separa Israel da igreja. Na leitura profética de Mateus 24, não é um discurso para a igreja como uma comunidade cristã pós-Pentecostes. É Jesus ainda antes da cruz respondendo aos discípulos judeus sobre o destino de Israel, do templo e da nação.
É por isso que muitos seguem essa linha, como Bruce Enstein, por exemplo. Eles leem esse capítulo como profecia voltada para o povo judeu na tribulação futura, com sinais que fazem sentido dentro do pacto e da lei mosaica, e não como uma descrição da experiência da igreja, que tem sua esperança apresentada em outras formas nas epístolas.
Isso reforça de novo o ponto da geração do versículo 34. Não é qualquer geração humana genérica. É a geração de Israel que vai testemunhar esses sinais específicos dados dentro de um contexto especificamente judaico e dentro da grade da tribulação que vai culminar com a vinda visível do filho do homem.
Por que o Senhor ainda não voltou
Eu quero finalizar, então, vou fazer a leitura aqui da passagem de Segunda Pedro, capítulo 3, versículo 9:
“O Senhor não retarda sua promessa, ainda que alguns a tenham por tardia, mas é longânimo para conosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a se arrepender.” 2 Pedro 3:9
Então essa grande tribulação, eu espero mesmo que você que está me ouvindo creia no Senhor Jesus para que não tenha que passar por isso, porque serão tempos difíceis, nunca houve tribulação maior. Então, pensa no dilúvio, é maior que o dilúvio, maior que qualquer outra coisa.
Então, se você ainda não crê no Senhor Jesus, creia. Entregue hoje mesmo seu coração a ele e receba a salvação gratuita de Deus.
Conteúdo de Herbert Carvalho · primitivocristao.com.br