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João 18:36

Você deve votar? A verdade bíblica sobre política e fé

Autor

Herbert Carvalho
primitivocristao.com.br
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A lealdade de um seguidor de Cristo pertence a um reino celestial. Por isso, não votar pode ser o mais insano ato de fé que um cristão pode fazer.

A cada eleição é a mesma loucura. A pressão gigante de todos os lados. As pessoas gritam: "Você precisa votar. É o seu dever". Vemos várias pessoas dizendo isso no mundo todo, dizendo até mesmo que escolher o cara certo é a nossa missão divina. A sociedade inteira nos cobra isso.

Mas fala a verdade: no meio deste barulho todo, de toda essa briga que invade até as igrejas, você já sentiu uma vozinha aí dentro de você que fala: "Espera aí, e se essa briga não for a nossa?" Ou uma sensação de que, ao tentar servir a Deus e a um sistema político, você acaba não servindo a nenhum dos dois. Este texto é sobre essa voz. É para você que está perdido nessa guerra de lados, cansado da pressão para escolher um time que nunca parece ser 100% o time de Cristo.

Hoje nós vamos explorar a conexão maluca entre o voto e a fé. E vamos descobrir por que não votar, em vez de ser covardia, pode ser o mais insano ato de fé que um cristão pode fazer.

Essa confusão que você sente não é à toa. Ela acontece por causa de uma mistura perigosa, uma tentativa de juntar à força duas coisas que a própria Bíblia parece separar bem claramente: o reino de Deus e os reinos deste mundo. Muita gente acredita que a fé obriga a gente a participar da política. Mas e se essa ideia estiver completamente errada? Ela nos joga num labirinto sem saída, onde a gente é forçado a escolher o menos pior, a dar o nosso selo de aprovação para sistemas corruptos e a botar a nossa esperança em pessoas que vão sim falhar.

Essa mistura cria um caos espiritual, uma Babilônia de vozes e lealdades dentro da própria igreja. E o resultado: cristãos que eram irmãos agora se odeiam por causa de um candidato. Igrejas que deveriam ser um lugar de paz viram palanques políticos. E a mensagem incrível do Evangelho é engolida por discursos partidários.

O problema talvez não seja descobrir em quem votar. O problema é achar que a gente tem que votar. A ideia que vamos explorar hoje é radical, mas está na Bíblia. A lealdade de um seguidor de Cristo pertence a um reino celestial. E essa lealdade o convida a questionar tudo sobre as participações nas brigas de poder dos reinos da terra.

O que Jesus respondeu a Pilatos

Para acabar com essa confusão, precisamos ir para a fonte, que é a palavra, a Bíblia. E quando a gente faz isso, encontramos uma visão maluca e super bem clara sobre quem nós somos. Primeiro vamos para o próprio Jesus na frente de Pôncio Pilatos, o político mais poderoso da área. Em João capítulo 18 versículo 36, Pilatos pergunta se ele é rei. A resposta de Jesus é a base de tudo. Ele diz:

“O meu reino não é deste mundo. Se fosse, os meus servos lutariam, mas o meu reino não é daqui.” João 18:36

Pensa nisso por um segundo. Jesus não disse que o reino dele é uma mentira. Ele disse que o reino dele não joga com as regras de poder deste sistema que nós temos hoje. Se o reino dele fosse daqui, então a galera lá dele lutaria pelo poder, usaria força, faria alianças políticas. Mas Jesus diz o oposto. Os servos dele não brigam por poder na terra, porque o poder deles vem de outro lugar e serve a outro rei. Quando a gente entra na briga pelo controle do sistema, não estamos agindo exatamente como servos de um reino deste mundo? Algo que Jesus disse que os seus seguidores não fariam.

Nossa cidadania está nos céus

O apóstolo Paulo leva essa ideia para um nível ainda mais insano. Em Filipenses capítulo 3 versículo 20, ele faz uma declaração que deveria explodir as nossas mentes a cada eleição:

“A nossa cidadania, porém, está nos céus.” Filipenses 3:20

Paulo usa essa palavra grega super poderosa para cidadania, que é politeuma. E no império romano, ser cidadão era praticamente tudo. Definia quem você era, os seus direitos, e exigia lealdade total a César. Paulo pega essa palavra política e vira ela de cabeça para baixo, dizendo que a nossa verdadeira identidade e lealdade não pertencem a Roma, ao Brasil ou a qualquer país. Nós somos cidadãos do céu. Nossa Constituição é a Bíblia, tudo que tá nela. E o nosso governante é Cristo.

E para fechar, o autor de Hebreus, no capítulo 11, descreve os heróis da fé dizendo que eles morreram confessando que eram estrangeiros e peregrinos na terra. Eles sabiam que este mundo não era o lar deles. Pensa comigo: um peregrino que está só de passagem por um país obedece as leis, respeita as autoridades, mas ele não tenta virar o presidente daquele lugar. O coração dele está focado na sua pátria de verdade, para onde ele está viajando. Essa é a nossa situação aqui.

Somos embaixadores de Cristo

Se a ideia do peregrino não for o bastante, a Bíblia nos dá uma ainda mais forte, que é a do embaixador. Em 2 Coríntios, capítulo 5, versículo 20, Paulo escreve:

“De sorte que somos embaixadores da parte de Cristo. Rogamos-vos, pois, da parte de Cristo, que vos reconcilieis com Deus.” 2 Coríntios 5:20

O que o embaixador faz? Ele representa uma nação e um país estrangeiro. Ele mora lá, mas não pertence àquele lugar. Ele não vota nas eleições de lá, nem se mete nas brigas de partidos daquele país. Isso seria um escândalo diplomático, inclusive. A única missão dele é representar os interesses do seu governo original.

Agora pega e aplica isso a nós. Se somos embaixadores do reino dos céus na terra, a nossa missão não é tentar consertar o sistema político por dentro. Nossa missão é representar o nosso rei Jesus e entregar a mensagem dele, que é: façam as pazes com Deus. Quando um cristão mergulha de cabeça na política de partidos, ele corre o risco de abandonar o seu posto de embaixador para virar um político local. Ele troca a mensagem eterna da reconciliação pela mensagem temporária de um partido. Ele deixa de representar o reino de Deus para representar uma plataforma humana e, no final, falha, pois os reinos dessa terra são de Satanás.

E ser sal da terra e luz do mundo?

Eu já sei o que você deve estar pensando sobre algumas objeções a essa ideia que eu estou trazendo aqui, que são muito fortes. Mas vamos olhar algumas delas que eu separei. A primeira, sobre ser sal na terra e luz do mundo. Sim, Jesus nos chamou para isso, mas a pergunta é: como a gente vai fazer isso? O sal transforma pelo contato. A luz age só por estar lá. Nossa influência vem de uma vida diferente, do amor absurdo, de servir os outros, de fazer coisas boas que fazem as pessoas darem glória a Deus. Jesus nunca disse que ser sal significava tomar o poder, e que ser luz era um cargo no Senado. A influência do reino parece vir de baixo para cima, transformando os corações, e não de cima para baixo, forçando leis.

Uma segunda objeção é a nossa responsabilidade social. Pelo contrário, a responsabilidade social do cristão é muito mais direta e poderosa do que um voto a cada dois ou quatro anos que você faz. Fazer o que Cristo fez: dar pão a quem tem fome, visitar os doentes, acolher o estrangeiro. A política promete resolver os problemas. A fé nos chama para resolvê-los pessoalmente, com as nossas próprias mãos.

E tem também uma terceira objeção, que vem lá de Romanos 13, que manda a gente obedecer as autoridades. E isso aí tá 100% certo. A Bíblia manda sim obedecer as leis, pagar os impostos e orar pelos governantes. Presta atenção: orar por eles, para que a gente tenha uma vida tranquila. Essa instrução parece desenhar uma linha clara entre a função do governo, de punir o mal, e a nossa, que é viver em paz, fazer o bem, sugerindo então uma separação e não uma fusão.

Não votar pode ser um ato de fé

Essa conclusão pode parecer radical, mas na verdade ela é totalmente libertadora. Não votar, quando é por causa desta ideia, não é um ato de preguiça, é uma declaração de fé. É como fincar uma bandeira e gritar com todas as suas forças: "Minha esperança não está num homem, num partido, numa ideologia. A minha esperança está firmada na rocha, no rei que já venceu e cujo reino é para sempre."

Não votar por essa lógica é um ato de lealdade. É se recusar a dar para um sistema na terra a aliança que pertence somente a Cristo. É proteger a mensagem do evangelho de ser manchada por briga política. E finalmente é um ato de libertação. Liberta você da ansiedade, da raiva e do medo que as eleições acabam jogando na gente. Liberta você de ter que defender o indefensável em um candidato. E o mais importante, liberta você para amar o seu próximo, não importa a cor da bandeira dele, porque você não tá mais competindo com ele pelo poder. Vocês não são mais inimigos. São só duas pessoas precisando da mesma graça.

Nessa perspectiva verdadeira, a participação política do cristão não acontece na urna. Ela acontece de joelhos, orando pelas autoridades. Acontece na rua, servindo a quem precisa. E acontece em todo lugar, enquanto vivemos como cidadãos do reino dos céus, mostrando com a nossa vida que o nosso rei está voltando.

Conteúdo de Herbert Carvalho · primitivocristao.com.br

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